Ansiedade. Quantas vezes você já viu ou ouviu alguém falando sobre ela? A ansiedade é considerada o “mal do século” por muitos. Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde) apontavam que 4% da população mundial sofria de ansiedade antes da pandemia, o que representa quase 320 milhões de pessoas. E já em 2021, estima-se que houve um aumento desse número para 359 milhões de pessoas (Fonte: Organização Mundial de Saúde)
No Brasil, estamos vendo um pico de afastamento do trabalho devido à depressão e à ansiedade (Fonte: O Globo), condições que frequentemente se conectam. Com esses dados, fica claro o porquê a ansiedade é considerada o “mal do século”. Mas, de fato, o que é ansiedade? Como ela funciona? E será que, de fato, ela é “ruim”?
Ansiedade: Entenda o Medo do Futuro e a Necessidade de Controle
Ansiedade é uma emoção derivada diretamente do medo. De fato, a ansiedade é o medo do futuro somado à necessidade de controle. O futuro não é algo controlável e, por isso, acabamos entrando nesse estado, porque buscamos controlar justamente algo “incontrolável”. Mesmo com um planejamento perfeito, a possibilidade de algo dar errado, e o risco de “sair do roteiro”, nos causa um medo intenso que, ao buscar controlar, gera ansiedade.
Ter medo do futuro é normal, mas o que torna a ansiedade tão singular é esse medo somado à necessidade de controle. Você pode ter medo de que um projeto seu não atinja os resultados esperados, mas quando esse medo é tão intenso que você sente a necessidade de controlar os resultados, ele se transforma na ansiedade. Lembre-se: o medo, quando em condições normais, é importante. Ele desperta a cautela e a atenção para evitar problemas. A ansiedade, por outro lado, é um medo muito intenso e, por isso, te coloca em um estado em que você não consegue pensar, podendo transformar algo que seria bom em algo ruim.
Devido à sua visibilidade, a ansiedade se tornou comum e é, por vezes, confundida com animação ou empolgação. Quando falamos que estamos “ansiosos” para, por exemplo, uma viagem que sabemos que será muito legal, de fato não estamos “ansiosos”, mas sim “animados” ou “empolgados” para isso, porque a ansiedade é uma emoção que sempre traz um certo nível de sofrimento, seja grande ou pequeno.
Autoconhecimento: O Caminho Essencial para Superar a Ansiedade
Assim como toda emoção, a ansiedade vem em ciclos: ela tem início, meio e fim. Começa ao nos sentirmos ameaçados pelo futuro, dura um tempo e cessa quando não há mais necessidade de se manter presente. Entretanto, muitos caem em uma espiral onde, ao invés de findar, a ansiedade é renovada por novas necessidades ou ameaças, repetindo o ciclo.
Já falamos sobre o que é o autoconhecimento nesse artigo aqui. E aqui, posso reiterar a importância dele para o desenvolvimento de uma boa saúde mental.
Pense que, independentemente do seu grau de ansiedade, uma das coisas mais importantes para lidar com ela é entender o porquê ela surge. Se a ansiedade, como toda emoção, nasce de uma “necessidade”, então entender e atender essa necessidade é a forma mais rápida de encerrar o ciclo.
É a função do autoconhecimento: decifrar suas necessidades, medos e o porquê de seus sentimentos. É por meio dele que conseguimos entender melhor nossas emoções. Quando entendemos como uma “máquina opera”, fica muito mais fácil ajustar os “mecanismos internos” para atender melhor nossas necessidades.
Inteligência Emocional: Aplique o Autoconhecimento para Lidar com a Ansiedade
Se a ansiedade é uma emoção, não é possível falar sobre ansiedade sem falar sobre a Inteligência Emocional. Já falamos também sobre esse tema neste artigo aqui, mas como esses conceitos se aplicam à ansiedade?
O autoconhecimento vai te ajudar a entender suas necessidades inconscientes para lidar com a ansiedade. Contudo, compreender o que se sente e questionar a origem dessa necessidade exige inteligência emocional. É fundamental primeiro identificar a ansiedade e o que ela realmente significa, pois não se pode lidar com o que não se conhece.
Questionar-se durante a ansiedade pode ser um desafio, mas a reflexão posterior, como “O que eu estava buscando com isso?” ou “O que me causou aquela ansiedade?” é um ótimo exercício inicial!
Por exemplo, se você está ansioso por um projeto que está fazendo, esse questionamento pode revelar que você tem medo de que o projeto fracasse. E aqui, é importante não parar! Se questionarmos o que aconteceria se o projeto fracassasse, pode surgir a resposta de que as pessoas vão se desapontar com você. Se eu questionar novamente isso, pode ser que surja a resposta de que, se as pessoas se desapontarem com você, você será excluído. Esse questionamento traz respostas muito profundas, porque a ansiedade em torno de um projeto nos levou a descobrir que você estava com medo de ser excluído.
Lembre-se: sua resposta será única e, talvez, surpreendente. Aceite cada resposta sem julgamento; não há certo ou errado. Se em dúvida, questione-se novamente.
A neurolinguística e a neuro-semântica, por exemplo, são excelentes abordagens para quem busca autoconhecimento e desenvolvimento, com várias ferramentas de mudanças profundas e duradouras que podem ser usadas de forma autônoma.
Outra forma de alcançar esse autoconhecimento é através de sessões individuais com um profissional da área, seja de terapia ou de desenvolvimento pessoal, livros, palestras, podcasts, etc.
Se você já leu até aqui, provavelmente já deu esse primeiro passo na sua jornada de desenvolvimento! Que este seja o seu impulso para uma transformação contínua e consciente em sua relação com a ansiedade.


